Por que passamos por dificuldades?

23/06/2018

volcan cotopaxi
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Jó 38.1-11

Prezada Comunidade, estimados Rádio Ouvintes:

O drama de Jó certamente é conhecido por todos nós. Uma pessoa temente a Deus, com muitos bens, que começa a se dar mal na vida. Fica muito doente, tem tumores malignos (feridas como câncer de pele da planta do pé até o alto da cabeça - Jó 2.7). A mulher de Jó ao ver o seu sofrimento e ao ver que o corpo de Jó está literalmente apodrecendo, de forma que ela não suporta mais o cheiro, então a mulher de Jó se desespera e diz: Seria melhor que Jó morresse. Não tem mais o que fazer. “Amaldiçoa a Deus e morre!” (Jó 2. 9) diz ela.

Jó experimenta as perdas mais dolorosas da vida de um ser humano e mesmo assim Jó se coloca diante de seu Senhor clamando para que Deus apareça e lhe dê as respostas para a sua situação. Diante do desespero de sua esposa, Jó diz: “Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (Jó 2.10).

Jó tinha três amigos: Elifaz, Bildade e Zofar. Eles ficam sabendo de sua situação e decidem visitá-lo. Quando eles encontram a Jó ficam muito impressionados com o que veem. Uma pessoa totalmente desfigurada. Os amigos não sabem o que dizer, diante de tanto sofrimento. Mesmo sem saber o que dizer, eles não abandonam o seu amigo Jó. Ficam ali com ele.

Com o passar das semanas, eles tratam então de encontrar alguma explicação para tanto sofrimento. No capítulo 22, Elifaz traz uma lista de possíveis pecados: Será que Jó pedia hipoteca/garantia pelos empréstimos que dava? Talvez Jó não tenha dado água para alguma pessoa cansada, ou tenha negado comida para uma pessoa faminta? Talvez Jó tenha usado seu poder político para prejudicar alguém? Será que recebeu alguma propina? Talvez tenha maltratado alguma criança órfão, ou não tenha ajudado as viúvas?( Jó 22). Mas essa doutrina da retribuição não funcionou com Jó. Ele sempre foi uma pessoa boa, justa, transparente. Uma pessoa temente a Deus. Finalmente, quando já não havia mais o que dizer, todos – Jó e seus amigos – se fazem a mesma pergunta: Onde está Deus? Que respostas Deus tem para todo esse sofrimento de Jó?

E finalmente – no final do livro, Deus vem! (Jó 38). E esse é o texto para nossa prédica de hoje. Deus aparece no meio de uma tempestade, no meio de um vendaval, um vento forte que espalha tudo o que há pela frente. A Bíblia menciona várias vezes que fenômenos naturais são formas em que Deus se revela. Deus tem se manifestado várias vezes dessa maneira em outras partes da Bíblia (1Rs 19.12; Sl 18; Sl 50; Ez 1.4; Na 1.13). Essa forma de manifestação de Deus não significava que Deus está irado ou furioso. Apenas visualiza a presença de Deus para Jó. Deus veio falar com Jó.

Nos anos em que vivi na Cordilheira dos Andes, pude ver que no Chile, no Peru, no Equador e em muitos países da América Central há muitos vulcões. Ao redor dessas montanhas vivem muitos pequenos agricultores, geralmente indígenas. Uma erupção vulcânica geralmente significava a perda de tudo o que eles tinham. Mesmo que não saia fogo da montanha, apenas a nuvem de cinza que é muito quente, é suficiente para matar ou ferir tudo o que atingia: plantas, animais e pessoas. No entanto, a erupção de um vulcão não era considerada um castigo, mas sim uma manifestação da presença divina. A PachaMama (a mae Terra) apareceu para falar com as pessoas, para chamar a atenção das pessoas para o cuidado com a natureza. As atitudes das pessoas estavam desiquilibrando o meio-ambiente. Para os indígenas, a erupção vulcânica era um chamado de atenção para corrigir o que está prejudicando a PachaMama. As consequências dessa manifestação divina – no caso a erupção do vulcão - era grandiosa porque Deus é imenso e quando ele aparece em nossa realidade, algumas coisas acabam ficando fora do lugar por um tempo. Mas nada para desesperar-se. Por isso, os agricultores indígenas andinos depois da erupção, depois que a terra havia esfriado – eles voltavam para as suas propriedades ao pé do vulcão. Aquelas cinzas quentes que destruíram muitas coisas, elas também haviam fertilizado os campos e, por isso, a próxima colheita certamente será abundante.

Assim também foi a aparição de Deus para Jó. Deus vem para falar com Jó. Deus aparece para Jó e ele não acusa a Jó de nada. Deus não lhe atribui falta alguma. Os amigos quando viram o sofrimento de Jó não sabiam o que dizer. No momento do sofrimento muitas são as perguntas que o ser humano faz: Por que? Como? Onde? 

Deus tem uma pergunta diferente. Eli diz: Quem?

Quem criou o mundo? Quem criou as montanhas, quem colocou as estrelas no céu, quem colocou um limite para que o mar – que é tão grande – não avance sobre a terra? E Jó somente pode responder: - Não fui eu!

A sabedoria deste mundo não tem condições de compreender a sabedoria de Deus. Nós dizemos que Deus sempre sabe o que é melhor para nós, mas mesmo assim para nós é difícil compreender o jeito de Deus. Nos falta entendimento. O ser humano só consegue ver o seu sofrimento. Mas geralmente ele não consegue entender nada. Por isso ele sempre pergunta: Por que? Como? Onde? Entendimento significa poder enxergar o que está além do sofrimento, o que está por trás do sofrimento. Jó sofre e não sabe por que? Por que eu estou passando por esse sofrimento se eu não mereço isso?

Quando Deus apareceu para Jó, Deus deixa claro que ele é o Criador do mundo e dos seres que nele habitam. Deus colocou limites até para o mar – isso quer dizer, Deus é quem tem o controle de todas as coisas. Até o caos faz parte da criação de Deus, mas Deus tem o controle sobre o caos. O caos não é inimigo da criação, o mundo não é um lugar livre de problemas, pelo contrário: a vida do ser humano somente é possível nesse mundo de contrastes, porque Deus tem o controle de todas as coisas. Deus é Deus e os seres humanos não são deuses. Isso quer dizer que o ser humano não é o centro do mundo. Ele apenas consegue viver nesse mundo, porque Deus o protege, porque Deus o cuida. Somente a confiança em Deus dará ao ser humano a certeza de que existe ordem no caos, que existe um limite para o sofrimento.

Esse é o caminho da sabedoria no livro de Jó, de Provérbios, de Eclesiastes e de Cantares. Tudo tem o seu tempo. Mesmo quando não entendemos mais nada, Deus continua presente e no controle de todas as coisas, mesmo quando o ser humano não consegue compreender nada sobre os planos de Deus e dos acontecimentos na sua vida.
Por mais sábio ou experiente que seja o ser humano, ele nunca terá palavras para consolar aquele que sofre. O sofredor precisa das palavras que vêm do próprio Deus. Jó não se sentiu consolado por seus amigos, nem encontrou consolo em si mesmo. O consolo teve que vir de Deus, que se revelou, vindo ao seu encontro no meio do vendaval, no meio da tempestade, no meio de seu sofrimento.

Mas vejam que coisa curiosa, Deus não diz para Jó por quê ele está sofrendo. Deus somente vem para dizer que mesmo diante de situações catastróficas, angústias, sofrimento e morte, Ele (Deus) está sempre no controle. A vida nesse mundo não está isenta de sofrimento e de caos. Mas Deus colocou limites ao sofrimento e ao caos. Também no Evangelho de hoje nós ouvimos que Jesus Cristo tem a mesma autoridade sobre o mar e as tempestades, sobre as angústias de nossa vida.

Portanto, hoje temos diante de nós dois grandes ensinamentos.
Primeiro: Ninguém de nós tem a fórmula da sua felicidade. Nós não temos total controle sobre a nossa vida. Isso compete somente a Deus.
Segundo: Deus tem palavras que nos podem livrar do desespero, que podem acalmar as tempestades que estão sobre nós.Por isso, nós que também passamos por tempestades e angústias em nossa vida, lembremos desses dois ensinamentos: Primeiro: Ninguém de nós tem a fórmula da sua felicidade. Nós não temos total controle sobre a nossa vida. Isso compete somente a Deus. Segundo: Deus tem palavras que nos podem livrar do desespero, que podem acalmar as tempestades que estão sobre nós.

Por isso, no momento das tempestades em nossa vida, lembremo-nos de clamar a Deus. Salva-nos, Senhor. Que Deus nos dê o espírito de oração para que oremos sem cessar quando estivermos com medo e em sofrimento. Que nunca duvidemos que Deus sempre está no controle de tudo. Nada escapa do seu cuidado. Peçamos a Deus que nos momentos de sofrimento nós perguntemos: o que tu queres nos ensinar com essa dificuldade? O que precisamos aprender com essa situação?

As dificuldades não são usadas por Deus para nos castigar. Através das dificuldades, Deus quer nos ensinar algo. Os problemas e as angústias não são teus algozes, são teus professores!

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus nosso Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos(as) vocês. Amém.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Área: Comunicação / Nível: Comunicação - Programas de Rádio
Testamento: Antigo / Livro: Jó / Capitulo: 38 / Versículo Inicial: 1 / Versículo Final: 11
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 47690
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