Liberdade

Autonomia para a vivência da fé responsável

Uma marca da identidade evangélica luterana é a afirmação da liberdade cristã. Trata-se de um valor importante da tradição cristã que recebe uma ênfase especial na reforma luterana.

Cristo é a mensagem central da Bíblia, e a justificação do pecador se realiza somente pela graça de Deus oferecida por Cristo. E essa graça do perdão e da salvação pode ser recebida somente pela fé e liberta da necessidade de fazer obras e sacrifícios que tornem as pessoas dignas diante de Deus.

A base da liberdade encontra-se no batismo. As pessoas batizadas são chamadas como filhos e filhas de Deus para viver uma vida em liberdade e amor. Deus deseja que as pessoas vivam a sua fé nele de forma livre, responsável e adulta. Esta liberdade se choca com as tendências massificadoras e despersonalizadoras a que homens, mulheres, jovens e crianças são submetidos na sociedade contemporânea.

Cristo liberta as pessoas da prisão de modismos e da adesão acrítica a ideias e tendências comportamentais massificadas. A liberdade cristã está na raiz da liberdade de consciência e da liberdade das pessoas na sua relação com poderes e autoridades.

O apóstolo Paulo diz: “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem como pessoas livres e não se tornem escravos novamente.”(Gálatas 5.13)

Lutero em seu livreto “Da liberdade cristã” sintetizou esta marca de identidade desta maneira:

O cristão é um senhor livre de tudo, a ninguém sujeito
O cristão é um servo dedicado a tudo, a todos sujeito.

A liberdade de tudo o que escraviza leva as pessoas para o exercício da solidariedade e a prática da justiça. A fé, que recebe a graça, produz frutos de gratidão e torna a pessoa que crê, livre e atuante em obras de amor. A vivência da fé na prática do amor, como gesto de gratidão, livre e desinteressado, torna-se marca do jeito evangélico de ser. O ser livre se dá na fé, o servir, no amor.

Essa liberdade se expressa em uma ética de responsabilidade. As pessoas evangélicas luteranas decidem livremente sobre questões ético-morais (aborto divórcio, anticoncepcionais, etc.) e comportamentais (comida, bebida, vestimenta, lazer, sexualidade, etc.). A tutela eclesiástica representa um arranhão na vivência de uma fé adulta. Há sempre a perspectiva de diálogo e de partilha e as pessoas são orientadas e apoiadas em questões que demandam discernimento ético. Elas são acompanhadas e animadas a tomar, em liberdade e responsabilidade, as suas próprias decisões diante de Deus e do próximo.

Essa liberdade também se desdobra e se expressa na participação na vida comunitária e na contribuição financeira. As pessoas sempre estão livres para responder ao chamado da Palavra de Deus. Integram-se ou não à vida comunitária. Participam ou não da convivência comunitária.

Essa liberdade se expressa na vivência e tradução dos valores evangélicos na sociedade civil, na gestão pública e vida política. Os fiéis exercitam a sua cidadania de forma livre sem a tutela eclesiástica, participando de movimentos sociais, entidades, organizações da sociedade civil, partidos políticos, vida parlamentar e administração pública.

Essa mesma liberdade faz com que pessoas, grupos, movimentos e comunidades participem de organismos ecumênicos e organizações inter-denominacionais com o fim de testemunhar em palavras e ações os valores do reino de Deus na sociedade e no mundo.

Lutero termina o seu texto sobre a liberdade cristã:

De tudo isso se conclui que um cristão não vive em si mesmo, mas em Cristo e em seu próximo; em Cristo por meio da fé, e no próximo por meio do amor; por meio da fé, ele ascende para Deus; de Deus, ele desce novamente por meio do amor, mas permanece sempre em Deus e no amor divino, conforme Cristo diz em João 1.51: ‘Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem’. Ora, é essa a verdadeira liberdade espiritual cristã que liberta o coração de todos os pecados, leis e mandamentos e que supera qualquer outra liberdade, tal como o céu supera a terra. Que Deus nos permita compreendê-la e conservá-la. Amém.
 

Foi assim que Deus mostrou o seu amor por nós: Ele mandou o seu único Filho ao mundo para que pudéssemos ter vida por meio dele.
1João 4.9
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